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10 de julho de 2010

O equilíbrio dos dias


Há dias em que as horas se agitam mas se fazem demoradas, lentas... dias em que o tempo me faz sentir suspensa, entre um bater acelerado do ritmo cardíaco e a necessidade de saber esperar... esta semana começou com a notícia do internamento do meu pai, nos cuidados intensivos, e a urgência de ir ter com ele. Confrontar-me com a incapacidade de compreender as suas palavras fez-me pensar nos dias em que era eu que não conseguia explicar-me... e naqueles momentos o tempo corre mais rápido que o vento, numa visita com a mesma medida, quinze minutos! Enquanto esperava pela próxima visita dediquei as horas a revisitar locais onde tinha sido muito feliz naquela cidade, a casa e as escolas por onde passei. Os edifícios estão hoje muito mais giros, alguns deles com marcas bastante visíveis da criatividade e da participação dos alunos na decoração da escola... as mesmas paredes, as mesmas árvores que guardam horas minhas cheias de tempos diferentes... Nesta viagem pelos ponteiros regresso a casa e como acontece sempre que viajo, adoro chegar a casa. Desta vez a hora da chegada traduz-se através desta imagem da minha filha que fez parar o meu tempo, na Ericera, onde ela e os irmãos me acomodam as ansiedades através de sonantes gargalhadas que fazem questão de tornar muito prolongadas. Equilibram-se assim as horas através do passado que promove partilhas, que faz rir e do presente grandioso e cheio de minutos grandes que me lembram como sou imensamente privilegiada por usufruir, assim, exactamente assim, de tantas horas. Trago também comigo a recuperação fantasticamente veloz do meu pai que já tem um paecemaker definitivo, que já saiu dos cuidados intensivos (o que representam mais horas de visita no nosso próximo encontro) e uma mesma atitude perante a vida que no caso dele tempo nenhum conseguiu alterar.

2 de julho de 2010

Filhas

Os últimos dias têm sido marcados pela companhia das minhas filhas. Cada uma à sua maneira despertam muitas emoções e vê-las crescer é, de facto, um enorme privilégio! Estes últimos dias ficaram marcados pela perda do meu telemóvel e depois da confusão e do desapontamento por me desorientar... depois disso, veio um contentamento... uma sensação interior de liberdade, por não me sentir dependente do telemóvel e, estando os miúdos de férias, mais se alonga essa sensação. Uma destas tardes fomos as três à praia e divertimo-nos imenso. Estar ali, em frente àquele imenso mar azul trouxe-nos uma grande paz, partilhada num silêncio nosso, feito de gestos, danças de mãos e também de momentos de oração aos quais a L. já se junta a mim, esticando bem os braços, imitando os meus movimentos, palavras e até expressões! Muito bom foi também perceber que a M. enfiou um livro na mochila e agarrou-se literalmente, mergulhando na leitura. Adoro ver este vício a propagar-se...

Num dia que ficou marcado por uma consulta que não chegou a acontecer (o meu médico anda adoentado) passei mesmo em frente a estas janelas. Fiquei radiante por olhar para elas e perceber que me lembrava, exactamente, do que significam para mim. Foi do lado de lá que a L. nasceu e foi ali que lhe pegamos ao colo. Pensar que, apesar de me ter esquecido de tantas coisas, há tantas outras e tão boas que não apaguei faz-me sentir feliz. E mais feliz ainda quando percebo a dimensão da proteção que tive de Deus durante tantos anos e em momentos de alto risco...

A vida está cheia de compensações boas e é nos dias de mais ansiedade que mais voltam à minha memória momentos bons. Sinto-me muito grata por isso.
Amanhã o meu filho vai representar uma peça de teatro constituída de improvisos com um grupo de amigos. Vai ser um grande espectáculo, e a roupa que escolheu para o seu fidalgo já está em cima da cadeira à espera do amanhã que será um dia em grande!

18 de abril de 2010

Sirva-se da cabeça!


Amanhã vou fazer uma cirurgia aos dois aneurismas que ainda trago na cabeça. Esta cirurgia já foi adiada várias vezes, mas a verdade é que me sinto mais preparada para esta intervenção, tanto pelo que vivi como pelo que aprendi com tantos adiamentos. Confesso uma ansiedade que se instalou, de forma mais evidente durante este fim de semana, cá em casa. E, enquanto preparo tudo para amanhã, dou de caras com esta fotografia que tiramos há dias no Pavilhão do Conhecimento. Na altura rimos imenso com a frase: "Sirva-se da cabeça". Neste momento, em que revejo um portfílio com todas as análises, exames, relatórios... toda a papelada associada a esta minha doença, vou colocar esta imagem, na primeira página do portfólio, para que amanhã, quando o médico estiver a rever todo este percurso, não caia na tentação de voltar a adiar a cirurgia. "Rir é o melhor remédio", pessoalmente utilizo muito o riso para me recompor. *Portanto, logo que esteja um bocadito mais "pesada" (afinal vão colocar-me mais duas peças na cabeça que vão influenciar a balança...) darei notícias. A linda flor que agora dá as boas vindas aos que aqui entram é a primeira que floresceu do meu lindo jasmim amarelo. Adoro flores e adoro amarelo!
Despeço-me com um "até já", entregando a Deus as minhas expectativas, pedindo-Lhe que as transforme em esperança. Pois é Nele a ele que confio os meus dias.

Sons


Partilho aqui estes sons que me ajudam a transformar ansiedades e expectativas e que hoje me acalmam. Envolvem sons vindos de África, a voz linda de Luciana Souza e... Neruda.

13 de janeiro de 2010

remédios para a ansiedade



Quando encontrei este banco, num jardim em Gouveia, sentei-me durante algum tempo e por momentos fiz uma "viagem" dentro da viagem que me tinha levado até ali.
Estava de passagem, a meio de umas férias com a minha família mas, interiormente, vivia um tempo de espera e durante alguns momentos percorri um caminho feito de muito sofrimento, mas também de muita fé. E, apesar da ansiedade que sentia (sempre que espero algo muito importante) fechei os olhos e tentei amarrar, muito bem, aqueles dias nesta minha memória que já não conheço muito bem, de tanto me esquecer das coisas. Enquanto permaneci sentada neste banco guardei com muita força as cores da serra e o lugar (sim... não ficamos numa vila nem numa aldeia, ficámos hospedados num lugar e dessa sensação falarei um destes dias). A verdade é que tentei guardar mesmo muito bem todas estas sensações e toda esta natureza, para me acalmar quando a espera começasse a tomar um ritmo mais difícil de suportar.



Hoje, que uma vez mais fui informada de um novo adiamento da minha cirurgia (já conto com três adiamentos), hoje, um dia em que as imagens dos dois aneurismas que trago no cérebro me vêm, com muita frequência, à lembrança... hoje, que espero uma nova data, e desejo seja definitiva, para deixar de ter este "peso" em cima de alguns projectos e encontros que anseio começar e viver... hoje, que preciso acalmar a minha espera... hoje volto a estas cores...



... e a este lugar.