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24 de dezembro de 2010

A magia da noite de Natal


A algumas horas de chegarem os familiares, os amigos, os convidados começo a sentir que a espera está quase a chegar ao fim. Durante semanas, a casa e nós, juntamo-nos à espera desta noite. Planeamos encontros, pensamos nos amigos que estão longe, recordamos os que partiram (e este ano partiram duas das pessoas mais importantes na minha vida) e também rezamos pelos que estão sós, doentes, tristes. Pessoalmente, agradeci a Deus este ano, tão feito de dias maravilhosos pois forma eles que equilibraram os mais tristes. Agradeci ao Pai por estar aqui, uma vez mais, a celebrar o Natal, colocando-me a cada dia ao ser serviço, pedindo-lhe que me ajudasse a terminar as tarefas que me foram aparecendo.
Agora, a algumas horas do grande jantar do ano, do momento mais quente de todo este Inverno, regresso a este espaço para desejar a todos, a todos sem excepção, um Santo e feliz Natal. Que esta noite seja feita de encontros felizes, de muitas gargalhadas e de afectos, muitos afectos no sapatinho. Será uma noite nova cá em casa, com encontros prontinhos a estrear e da qual, penso, nunca nos iremos esquecer. Será uma noite feita de surpresas e também de rituais, que terminará, como sempre com a Missa do Galo e miúdos a adormecer no carro no regresso a casa. Mas será, concerteza, a noite em que celebramos, acima de tudo, a vinda do Deus Menino cuja presença é demasiado evitente e forte cá em casa. Termino com um novo voto de boas festas enquanto preparo os últimos detalhes desta especial noite de aniversário em que a maioria dos presentes não são para quem faz hoje anos, mas que nos desafia a oferecer-lhe um presente a Ele, que gosta de prendas mais difíceis que conseguir, porque não custam dinheiro. Bom Natal.

2 de janeiro de 2010

Presentes de Natal


primeiro presente...

Este Natal recebi três presentes maravilhosos! Um deles está ligado a este momento. Ao visitar a minha mãe. Já não a encontrava acordada há alguns meses e quando estava desperta sabia que não me reconhecia. Mas, este Natal foi diferente... sempre que a visito, no lar onde está internada, canto-lhe as cantigas que ela me cantava quando era criança. Acredito que ela me ouve (afinal a audição é o último sentido que perdemos) e que naqueles momentos a minha voz será mais forte que a Alzeihmer e que voltamos juntas a muitos anos atrás... Depois, quando volto à realidade e percebo que não me reconhece, sofro. E sofro mais ainda perante a impotência de a pegar ao colo e a levar de novo para o meu mundo. Às vezes sinto que sou demasiado egoísta, outras zango-me com Deus. Por tê-la ali... mas não saio sem passar pela capela e fazer as pazes com Ele pois, no fundo, tenho a certeza que Ele acompanha o meu anjo dia e noite.
Mas, este Natal foi diferente. Durante o tempo que estivemos juntas sei (porque a conheço muito bem e porque senti) que ela me estava a reconhecer. Aquele olhar, que não parava de me seguir, falava comigo de coisas só nossas, com uma lucidez e sintonia que acontece entre mães e filhos e onde as palavras às vezes são
desnecessárias. Fiquei radiante e o meu coração estava cheio de alegria.


segundo presente

Na noite de Natal fomos à Missa do Galo, que no Milharado acontece à meia-noite. Estava uma noite muito, muito fria mas dentro da Igreja o calor dos sorrisos e dos olhares era muito mais forte. A alegria nas palavras do nosso Prior foi contagiante, apesar dos muitos olhinhos cheios de sono. Terminada a missa saímos e como tínhamos que andar um pouco a pé aproveitei para deixar caixa com cada um dos doces da nossa mesa de consoada numa casa onde moram pessoas muito especiais que se dedicam inteiramente aos outros. Após explicar aos meus filhos o que tinha a pequena caixa que deixava naquela porta recebo outro presente maravilhoso; "mãe, sabes... tu és mesmo uma pessoa carinhosa!" Nenhum frio foi mais forte que o calor daquelas palavras. Receber presentes destes é mesmo um gigante privilégio!


terceiro presente

Este Natal os convidados à nossa mesa na consoada foram um casal de idosos. "Sossego" foi sempre o desejo que ouvi, nas semanas antes do Natal, da voz daquela senhora... e foi ela que acabou por vir a uma casa um pouco agitada como é a nossa casa, nas festas. Mas, não foi um Natal atribulado e penso que o desejo dela foi realizado, apesar das brincadeiras dos meus filhos. Para nós, além de partilharmos uma noite tão especial com eles, foi também um Natal muito, muito divertido. No meio de algumas gafes, nunca desvendadas, de algumas "apostas" para desdramatizar momentos menos bons e de um engano enorme com um filme que compramos para ver em família... este Natal não podia ficar mais marcado pela alegria, pelo divertimento, e pelas gargalhadas. Nunca o esqueceremos e sabe mesmo bem ter lembranças tão boas como as deste Natal!

22 de dezembro de 2009

À espera da luz



Aproxima-se a Noite de Natal... Não vivo os dias que antecedem esta festa a correr. Aliás, penso que já não vivo os dias a correr... ou pelo menos tento. Tento sempre evitar as correrias, as pressas (excepto quando os meus filhos se atrasam para a escola, confesso) mas de resto cá vou conseguindo desacelerar. E gosto. Há muito que o presépio ilumina o pátio, que as luzes iluminam a casa, que todos os presentes estão comprados. E também já não é necessário ir, dias antes, à pastelaria fazer a encomenda dos doces... basta ir dia 24 de manhã. Já não vou ao supermercado (aliás, o bacalhau já está cá em casa há mais de um mês) e tenho a sorte da senhora da fruta vir à minha porta trazer as couves! Resta-me apenas saber quantos estaremos à mesa, na consoada. E esta é, sem dúvida, a noite mais bonita do ano... é como se um manto de tranquilidade e paz se estendesse sobre a nossa aldeia e até os encontros que acontecem na Missa do Galo são... suaves, luminosos. Agora, que as nossas orações em família se vão tornando a cada noite mais prolongadas partilhamos todos de uma espera muito especial. Sente-se... vive-se... e numa cumplicidade, onde as palavras estão a mais, juntamos-nos a Maria e... sentimos-nos bem enquanto continuamos, em família, à espera da noite em que o Deus-Menino nasceu para trazer ao mundo a sua Luz.

30 de novembro de 2009

Árvore de Natal à espera de Tempo


(esta é a árvore do Tempo, que está na Igreja do Milharado. A foto foi tirada no sábado. Semana após semana trarei novas imagens e, tenho a certeza, esta árvores irá ficando cada vez mais bonita!)

Achei a ideia fantástica! E fico radiante por poder contribuir para a sua realização. O projecto é do Padre Paulo Serra, Prior do Milharado, que é um homem cheio de ideias originais, simples e sempre muito cativantes... Esta é uma delas. Trata-se de uma árvore de Natal que, em vez de ser decorada com bolas, fitas e luzes, será enfeitada, gradual e semanalmente com folhas, flores e frutos feitos de papel. Será uma árvore de Natal muito diferente e está no centro do desafio que que o Padre Paulo fez este ano a todas as pessoas.

Pois bem, em vez de pedir roupas e brinquedos, o que normalmente leva a que darmos o que já não precisamos e, raramente, o que nos faz falta... este ano o Padre Paulo pediu-nos que ofereçamos algo que todos precisamos sempre muito... pediu-nos tempo! Sim, tempo! Tempo para dedicarmos ao outro... tempo para visitar um doente, para estar sentado com o filho, meia hora, a brincar ou a fazer um jogo... tempo para ir jantar fora com a mulher ou o marido (para que o casal possa estar junto). Pediu a cada um esse género de coisas que, devido à falta de tempo, não fazemos habitualmente....). Que ofereçamos o nosso tempo a fazer um trabalho em tricot ou postais de Natal que possam ser vendidos e arranjar fundos para as IPSS (para pagar contas por exemplo, como da água ou luz...). Tempo para vermos um filme com os nossos filhos, ainda que pela enésima vez, partilhando do entusiasmo deles... tempo para fazer um bolo para a avó, para telefonar àquela pessoa que nos vai "agarrar" ao telefone, quase uma hora, e nos vai fazer ouvir as mesmas "dores" que já ouvimos mil vezes, e que já sabemos nem sequer são reais... enfim, pediu-nos tempo. E, também nos pediu para pensarmos em como nos podemos dedicar um pouco mais ao outro.


(folha de papel)

Cada um de nós, crianças e adultos, esceverá semanalmente, na folha de papel, o que fez essa semana e que tempo dedicou ao outro, sem assinaturas, sem vaidades.
O grande desejo para este Natal é que consigamos "vestir" e decorar a nossa árvore com muito tempo!
Volto a repetir-me mas achei a ideia maravilhosa e, cá em casa, já todos temos folhas. Quando nos aproximamos de uma festa tão bonita como o Natal, em que até os corações mais "fechados" não passam indiferentes... quando temos tanto e damos apenas o que nos sobra, e não o que nós somos.... quando tudo nos distrai e nos tenta manter "adormecidos" em sonhos encantados para não vermos a realidade. Quando a nossa realidade interior é "maquilhada" com compras e mais compras.... quando tudo à nossa volta nos tenta condicionar o olhar apenas para o bonito, para o confortável... quando tudo isto acontece... é tempo de parar... de olhar para a alegria que todos temos quando nos damos a quem precisa de nós. Temos que acreditar na alegria, que tenho a certeza absoluta, todo o ser humano sente quando se dá... Passem a palavra... convidem todos este Natal a dar um pouco do seu tempo. E não fiquem por aqui... há imensas árvores despidas, à espera de folhas feitas de tempo. Nas casas que conhecemos... na abundância dos nossos dias... pela vida, esse previlégio maior que nos é dado.