8 de janeiro de 2009

Encontro II



Um convento encantado e um encantador de histórias


Tal como já tinha referido, os meus dias têm sido cheios de encontros e todos eles compostos de boas surpresas.
No último sábado, já no final do dia, tive que ir a Mafra procurar uma farmácia de serviço. Durante esta quadra natalícia ainda não tinha passado por lá, à noite, e a primeira surpresa deste fim de tarde foi ver a iluminação do convento. Estava lindo e as imagens, tiradas um pouco à pressa, para não atrapalhar o trânsito não conseguem transmitir o jogo de cores que vestiram, este ano, este monumento tão imponente e tão cheio de belezas. Já na farmácia encontrei o habitual sorriso das pessoas que estão atrás do balcão. Gosto de lá ir, pelos medicamentos que tenho sempre a sorte de encontrar, quando estão esgotados noutros sítios, mas, principalmente pela simpatia com que sempre me atendem. Não sei explicar mas, gosto de todos os que ali trabalham pois têm em comum sorrisos muito sinceros. Uma vez mais, tive a sorte de encontrar lá a última caixa de um medicamento que, devido a vários factores, estava esgotado em várias farmácias da zona.
Como tinha que comprar leite e linhas para cozer os botões do casaco da minha filha dirigi-me ao supermercado. Passei pelo mais pequeno mas o estacionamento estava cheio. Decidi então ir a um maior, mas que por ser mais distante e estar aberto há pouco tempo, talvez tivesse menos clientes. Bingo! Acertei. Os corredores estavam quase vazios o que me deixou logo contente.
Lá fui procurar as linhas mas, confesso, parei primeiro junto às bancas dos livros (a minha secção preferida).

Continuei pelos corredores e entre peças para a cozinha, que despertam sempre a minha curiosidade, pois sou uma péssima cozinheira, mas muito curiosa por estes utensílios, dei de caras com uma família. Um menino lindo, um bebé muito, muito sorridente, que prendeu o meu olhar, e me levou a reparar na mãe, cheia de mimos para ele, e no pai, o contador de histórias que mais gosto de ouvir. Para mim ele é mais um "encantador de histórias" pois de cada vez que o ouço fico encantada.

Foi então que não resisti e, pedindo desculpa por estar a interromper-lhes as compras, me dirigi a ele e lhe perguntei como seria possível contacta-lo para ele ir à escola do meu filho, que não tem uma biblioteca pública ali perto, contar umas histórias.
Aproveitando o encontro, falei-lhe também se não poderíamos juntar os idosos do centro de dia onde faço voluntariado pois sei que gostariam de o ouvir e perceberiam a importância que as pessoas dão, e o gosto que as crianças têm pelas histórias, que eles próprios conhecem pois também fizeram parte das suas infâncias.
O António Fontinha ouviu a ideia e a proposta de proporcionar este encontro entre novos e velhos. Esta experiência seria interessante também para ele, que continua a recolher e a trabalhar, com os mais velhos, na tentativa de conhecer mais e diferentes versões das histórias que conta.
Foi um encontro que me encheu de alegria e ficou combinado que eu passaria o seu contacto à professora do meu filho e nos reuniríamos, talvez, numa sala do centro de dia, que tem lareira e tudo!
Na segunda feira seguinte passei pela escola do meu filho e entreguei o papel à professora. Com esta primeira "folha" desejei muito e pedi a Deus que este encontro se realize. Estou ansiosa por assistir e por, uma vez mais, ver o encantamento que ele transmite. Desta vez nos olhos de velhos e novos.




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